Muitos empresários definem salário minimo como pro labore e retiram 3 vezes esse valor do caixa da empresa. Essa operação é muito danosa a empresa, de forma simples demonstramos esse problema.

02/07/2018 08:21

Pode parecer até aqueles anúncios sensacionalistas para chamar a sua atenção, más é a pura verdade, definir um valor de pro labore mensal pode salvar sua empresa da iliquidez de caixa, e digo mais, muitas empresas fecham por causa da falta dessa definição e seguir essa regra à risca.

Não vou falar da história do pro labore e nem do salário que vem da palavra sal, etc,

Vou começar com um bom e velho exemplo:

Empresa: Thinkoutbox Ltda;
Ramo: Serviços – Anexo III;
Modelo de Tributação: Simples Nacional;

Faturamento anual: 144.000,00;

Despesa média Mensal: 8.000,00;

Agora vamos montar um Demonstrativo horizontal simples:

  Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho
Cliente A 3.500,00 2.900,00 2.900,00 2.900,00 2.900,00 2.900,00
Cliente B 2.500,00 3.500,00 1.600,00 1.600,00 1.600,00 1.500,00
Cliente C 1.500,00 2.500,00 3.500,00 1.500,00 1.500,00 2.500,00
Cliente D 1.600,00 1.500,00 2.500,00 3.500,00 2.500,00 3.500,00
Cliente E 2.900,00 1.600,00 1.500,00 2.500,00 3.500,00 1.600,00
Faturamento 12.000,00 12.000,00 12.000,00 12.000,00 12.000,00 12.000,00
Despesas -8.000,00 -8.000,00 -8.000,00 -8.000,00 -8.000,00 -8.000,00
Líquido 4.000,00 4.000,00 4.000,00 4.000,00 4.000,00 4.000,00
             
Extrato bancário 10,00 20,00 10,00 10,00 10,00 10,00

O empresário vê esses 4k na conta corrente “sobrando”, o olho brilha….. e vrau ! Usa tudo para despesas pessoais.

Aí…..o pessoal da contabilidade, no operacional, que faz o débito e crédito, levanta esse ponto, liga para esse cliente, explica que foi definido 2.000 de pro labore, que deveria  sobrar 2.000 na conta, e sugere fazer um CDB,  e guardar o valor até fechar o balanço.

E o o que acontece ? o empresário faz logo um financiamento de um possante carro com mensais de 2.000, afinal, ta sobrando 4k na conta.

Passa um mês nada do dinheiro, outro mês nada, 1 semestre nada. Derrepente, a economia titubeia como um criminoso de colarinho branco na frente do Juiz.

E Ficamos assim no 2º Semestre:

  Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro
Cliente A 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
Cliente B 2.500,00 3.500,00 0,00 0,00 0,00 0,00
Cliente C 3.500,00 1.500,00 1.500,00 2.500,00 3.500,00 1.500,00
Cliente D 1.600,00 1.600,00 1.600,00 1.500,00 2.500,00 3.500,00
Cliente E 2.900,00 2.900,00 2.900,00 1.600,00 1.500,00 2.500,00
Faturamento 10.500,00 9.500,00 6.000,00 5.600,00 7.500,00 7.500,00
Despesas -8.000,00 -8.000,00 -8.000,00 -8.000,00 -8.000,00 -8.000,00
Pro labore -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00
Líquido 500,00 -500,00 -4.000,00 -4.400,00 -2.500,00 -2.500,00
             
Financiamento 0,00 -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00
             
Capital de Giro 0,00 -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00 -2.000,00
             
Extrato bancário -1.500,00 45.500,00 37.500,00 29.100,00 22.600,00 16.100,00

Como a conta ficava no negativo, em agosto, o empresário teve que adquirir um contrato de empréstimo com o Banco, o Capital de Giro, no valor de 50.000 em 36 vezes de 2.000,00.

E aí temos o começo de um prolongado fim,  a empresa tem que girar caixa para pagar as dividas e não dar lucro.

É isso o que normalmente acontece com as empresas Brasil a fora, por falta de preparo ou mesmo falta de informação, má gestão, muitas empresas não duram 5 anos, é por isso que nós contadores devemos sempre tentar ajudar nosso cliente compartilhando informação, não só recebendo honorários e gerando impostos, mas sim chegar junto, fazer uma visita não faz mal a ninguém, faz muito bem !

E você empresário que nos lê, veja se está fazendo isso, converse com o seu atual contador, e veja se  está sendo um bom serviço, aquele serviço online de R$ 90,00 está valendo a pena ? Caso não, busque um profissional.

ESCRITO POR

LUCAS MORAES